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Cooperativismo, eleições e participação

As eleições de 2026 já se anunciam como um dos momentos mais decisivos da vida pública brasileira nas últimas décadas. Em meio a um ambiente de instabilidade institucional, desafios econômicos persistentes e crescente complexidade social, torna-se indispensável ampliar o debate sobre a responsabilidade cidadã, a qualificação da representação política e o fortalecimento das instituições democráticas. Nesse contexto, o cooperativismo brasileiro reafirma sua vocação histórica de contribuir para a construção de um País mais equilibrado, produtivo e socialmente justo.

O sistema cooperativista nacional, capitaneado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), por meio do Programa de Educação Política do Cooperativismo inicia um amplo movimento de mobilização em torno do processo eleitoral de 2026. A iniciativa contempla o lançamento da plataforma eleicoes2026.coop.br, concebida como espaço de referência para cooperativas, lideranças e cooperados, reunindo conteúdos, orientações, documentos e materiais estratégicos para promover participação consciente e ética, alinhada aos princípios da neutralidade política.

Entre os instrumentos apresentados destacam-se o documento “Propostas para um Brasil Mais Cooperativo”, a cartilha “Cooperativismo e as Eleições 2026” e o “Guia de Aspectos Jurídicos Eleitorais”. Os materiais oferecem segurança jurídica, orientação institucional e estímulo ao voto consciente, reforçando que o cooperativismo pode — e deve — participar do debate público de forma responsável, transparente e apartidária. Trata-se de uma contribuição legítima de um setor que representa milhões de brasileiros e exerce papel decisivo na geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento regional.

O atual cenário eleitoral preocupa pela superficialidade de parte dos debates e pela ausência de propostas consistentes para enfrentar os verdadeiros entraves nacionais. Reformas estruturais, como a administrativa, a política e a previdenciária, permanecem frequentemente relegadas a segundo plano, enquanto o País convive com um Estado oneroso, baixa eficiência pública e crescente pressão fiscal. O Brasil necessita de coragem política para racionalizar a máquina pública, controlar gastos, simplificar o sistema tributário e criar condições favoráveis ao investimento, à competitividade e à geração de empregos.

Nesse ambiente, o cooperativismo emerge como modelo econômico e social capaz de oferecer estabilidade, participação democrática e distribuição equilibrada de oportunidades. Fundamentado na cooperação, na gestão coletiva e na valorização das pessoas, o setor fortalece cadeias produtivas, impulsiona o desenvolvimento sustentável e contribui para a permanência das famílias no campo e nas comunidades urbanas.

O setor agropecuário, em especial, depende de políticas públicas permanentes e investimentos em infraestrutura logística para alcançar maior competitividade. As deficiências estruturais fora da porteira continuam limitando o pleno potencial produtivo brasileiro. Por isso, é fundamental que os candidatos assumam compromissos claros com o fortalecimento do setor produtivo, da agricultura e das cooperativas.

Mais do que participar de eleições, o cooperativismo brasileiro participa da construção da democracia. Ao incentivar o diálogo qualificado, o respeito às instituições e a participação cidadã consciente, reafirma seu compromisso com um Brasil mais eficiente, equilibrado e sustentável. Em 2026, pensar no cooperativismo será, acima de tudo, pensar no futuro do País.

Vanir Zanatta

presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC)

 

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