O senso comum costuma associar as cooperativas financeiras a pessoas com uma faixa etária mais alta, talvez por um misto de desconhecimento e um certo preconceito em relação ao setor. No entanto, elas têm se mostrado uma solução alinhada às demandas e aos hábitos das gerações mais novas, como a Geração Z (entre 16 e 29 anos) e os millennials (entre 30 e 44 anos). Tal alinhamento se dá num contexto de digitalização e de mais perfis engajados em diferentes aspectos da sociedade.
Cooperativas financeiras de fato têm como um dos pilares a atuação presencial via postos de atendimento. Mas, o que pouco se fala é que elas também podem ser acessadas digitalmente via aplicativo e internet banking. O cooperado pode escolher a melhor maneira de interagir e de gerenciar suas contas, seus investimentos e todos os outros produtos disponíveis.
Essa possibilidade está totalmente em linha com a tendência das gerações Z e millenial de preferirem realizar transações online, em primeiro lugar, seguido do formato presencial nas agências. Segundo a 9ª edição Raio X do Investidor Brasileiro publicado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) com base nos dados de 2025, 84% da Geração Z prefere realizar investimentos via plataformas digitais, e 11% optam por ir à agência. Entre os millenials, 75% escolhem o formato online e 22% o presencial.
A educação financeira também aparece como um ponto importante de conexão entre cooperativas e o público jovem. O tema tem bastante relevância e está, inclusive, entre “Os sete princípios do Cooperativismo” – estabelecidos pela Aliança Cooperativa Internacional. E segundo o Raio X do Investidor Brasileiro, acima citado, o tema da educação financeira também importa às gerações mais jovens. Hoje, cerca de 30% da Geração Z se diz engajada com sua educação financeira, ante 23% do público millenial. Para efeito de comparação, na Geração X o percentual é de 16%.
Ao longo dos mais de 30 anos de história junto aos seus cooperados, o Sicoob Credicom hoje constata que participar de uma cooperativa significa exercitar competências bastante úteis para o mercado atual. Exemplos são liderança colaborativa, responsabilidade compartilhada e visão empreendedora. Tudo isso amplia o repertório de experiências dos jovens.
Também aproximando o modelo e a proposta das cooperativas às culturas e visões de mundo mais comuns entre Geração Z e millenials está a intenção de participação e construção coletiva do presente e do futuro de curto, médio e longo prazo.
Por fim, apesar dos vários desafios econômicos, sociais e ambientais, há um consenso de que os jovens estão tentando mudar o modus operandi em relação à forma de construir e utilizar a riqueza, as experiências e os bens.
Muitos concordam que a sociedade caminha de um conceito mais individual para um mais coletivo e colaborativo.
Isso combina com a filosofia das cooperativas na medida em que, nessas instituições, diferentemente dos grandes bancos, os cooperados são parceiros e não apenas clientes. A consequência vai além de taxas e tarifas abaixo do mercado e alcança distribuição de resultados financeiros da cooperativa entre
os cooperados. Nesse modelo, todos ganham.