OIT aprova agenda global por igualdade de gênero no trabalho
17/06/2026
A 114ª Conferência Internacional do Trabalho encerrou os trabalhos da Comissão de Igualdade de Gênero com a aprovação de um conjunto de conclusões que vai pautar a atuação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e de seus países-membros nos próximos anos. O Sistema OCB acompanhou de perto todo o processo, representado por Bruno Vasconcelos, coordenador de Relações Trabalhistas e Sindicais da Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop). Ele integrou a comissão como conselheiro técnico titular da delegação brasileira dos empregadores.
“O documento aprovado não impõe obrigações jurídicas imediatas, mas estabelece diretrizes políticas e normativas com peso real. Ele deve influenciar recomendações futuras da OIT, programas internacionais e até negociações entre países. Para chegar ao texto final, a Comissão analisou 125 emendas, em um processo que exigiu equilíbrio entre posições distintas de governos, empregadores e trabalhadores”, explicou Bruno sobre os resultados dos trabalhos.
Segundo o coordenador, o diagnóstico apresentado pela OIT reconhece avanços na participação feminina no mercado de trabalho, mas aponta que as desigualdades estruturais seguem profundas. “Mulheres ainda se concentram em ocupações de menor remuneração, enfrentam barreiras para chegar a cargos de liderança e carregam de forma desproporcional as responsabilidades de cuidado dentro e fora do ambiente doméstico. Violência, assédio e exclusão digital completam o quadro”, acrescentou.
Entre as diretrizes centrais aprovadas, ganhou destaque a defesa da igualdade salarial, com ênfase na transparência de remuneração e na adoção de salários dignos; e a chamada economia do cuidado, que engloba desde a ampliação das licenças parentais até a expansão de creches.
A tecnologia foi outro eixo central dos debates. A Comissão reconheceu que a transformação digital pode tanto reduzir quanto ampliar desigualdades, dependendo das escolhas feitas agora. Vieses de gênero em algoritmos de inteligência artificial, a baixa participação feminina em áreas de ciência e tecnologia e o risco de exclusão digital das mulheres foram temas que concentraram atenção durante as discussões.
Diálogo social
Para Bruno, a aprovação do documento representa um avanço concreto para o mundo do trabalho. "As conclusões da OIT reafirmam que igualdade de gênero é uma pauta que precisa estar no centro das políticas econômicas e trabalhistas. E nesse contexto, estamos na vanguarda, uma vez que o cooperativismo já pratica esse princípio no dia a dia”, avaliou.
Um dos pontos de maior convergência entre as delegações foi o papel do diálogo social. As conclusões reafirmaram que negociação coletiva, liberdade sindical e participação efetiva de empregadores e trabalhadores são caminhos indispensáveis para que as políticas públicas de igualdade saiam do papel.
O documento (em inglês, alemão e francês) aprovado, conforme descrito por Bruno, orienta que governos, empregadores e trabalhadores avancem em frentes como o fortalecimento de marcos legais contra discriminação, a promoção da igualdade remuneratória, a formalização do trabalho e a adoção de medidas para reduzir vieses algorítmicos e de inteligência artificial nas relações de emprego.
Sistema OCB